Hábitos Orais Deletérios


Hábito de chupar o dedo pode ter início ainda na gestação

Os hábitos orais surgem bem cedo, durante o desenvolvimento craniofacial da criança.

A partir da 29ª semana de vida intrauterina, através de ultrassonografia, podemos observar o processo de sucção de dedos. Após o 5º mês de vida, inicia-se o ciclo das relações entre boca, mãos e olhos, sendo este momento o processo de descoberta do bebê, podendo ser um meio para a instalação de um hábito.




A criança gosta de experimentar novas texturas e consistências através da boca

O hábito é uma ação consciente, que por ser algo prazeroso se torna frequente e chamado é de “mania”. Existem hábitos orais que surgem na infância devido a momentos ou instrumentos prazerosos que são colocados na cavidade oral. A sensação, sabor e textura são alicerces para o prazer e com frequência transformam-se em processos automáticos de forma inconsciente.


A persistência dos hábitos orais indesejados pode interferir de maneira impactante no crescimento e no desenvolvimento craniofacial, podendo trazer alterações no sistema estomatognático (mastigação, respiração, deglutição, fonação e sucção), mais precisamente no crescimento ósseo e desenvolvimento muscular, nas articulações, dentes, nervos e mucosa dentre outros.



Quais são os hábitos orais?

Podem ser sucção não-nutritiva (sucção de chupeta, mamadeira ou digital); hábitos de morder (lábios, língua, objetos, onicofagia e bruxismo) e hábitos funcionais (respiração oral e deglutição atípica).

Estes comportamentos podem surgir por situações de insegurança e ansiedade, e também pelo desmame precoce ou fazer o uso da chupeta/mamadeira além da idade habitual, no período de crescimento estrutural, além dos dois anos.



Sucção não nutritiva pode causar alterações de má oclusão, inadequação da musculatura labial (dificuldade em selar os lábios) e no reflexo de deglutição.



O uso da chupeta deve ser desencorajado sempre que possível

A sucção digital e de chupeta/mamadeira estão associadas a alterações de arcada dentária, como mordida aberta e mordida cruzada, alterações na posição da língua e lábios, deglutição, mastigação e respiração. A deformidade será maior ou menor dependendo da frequência (quantas vezes e quanto tempo a criança suga por dia), intensidade (força usada para sugar) e duração do hábito (quantos meses ou anos de sucção).



Os hábitos relacionados à mordida estão relacionados, na maioria das vezes, a episódios de estresse ou ansiedade, sendo associados a transtornos mentais ou emocionais.

Criança também pode ter bruxismo

Dentre estes hábitos podemos citar a onicofagia (roer as unhas) e morder objetos (canetas e outros). Estes hábitos podem afetar os dentes e os tecidos da cavidade oral de diversas formas, como por exemplo o desenvolvimento da mordida cruzada. Pode com a intensidade e frequência ocasionar dor e disfunção na articulação temporomandibular (DTM), isso ocorre devido à sobrecarga criada pelo hábito.


O bruxismo pode causar alterações dentárias

O bruxismo por sua vez é uma atividade caracterizada pelo hábito de ranger ou apertar os dentes. Pode ocorrer em momentos diurnos, mas com maior frequência no período noturno, especialmente quando são pessoas mais ansiosas. É errado pensar que crianças não sofram de bruxismo.


Existem crianças que apresentam o bruxismo. Há maior facilidade de identificação por parte dos pais, devido a intensidade do ruído durante a noite.

Os sintomas mais frequentes são: desgastes dos dentes, hipersensibilidade, mobilidade dentária, fratura das cúspides e restruturações dentarias, dores e DTM, dor muscular (hipertrofia do masseter), dor de cabeça e dificuldade de dormir (geralmente sono agitado).



Hábitos funcionais; o respirador oral não realiza de forma eficiente a respiração nasal, sendo a via mais segura e saudável para a boa respiração (purificando, filtrando, aquecendo e umidificando o ar antes de chegar aos pulmões).


As causas mais comuns para a respiração ocorrem pela cavidade oral: hipertrofia de cornetos inferiores, rinites alérgicas e não alérgicas e hipertrofia adenoamigdaliana. Além disso, deformidades estruturais podem causar também a respiração oral. O paciente apresenta características faciais como: boca entreaberta, lábio superior curto, lábio inferior volumoso e evertido, alteração de tônus e mobilidade de língua, lábios, palato mole e fadiga. A instalação crônica na fase do desenvolvimento da criança pode afetar o desenvolvimento facial normal.



A deglutição atípica pode ocorrer devido ao desequilíbrio dos músculos periorais, mastigatórios e da língua. A má oclusão pode ser uma das etiologias devido à pressão muscular inadequada. Geralmente o indivíduo apresenta lábios, língua, bochechas e músculos hipotônicos, podendo causar dificuldades e alteração no momento da mastigação e deglutição.


Caso seu filho apresente os aspectos aqui mencionados, não se desespere. É possível tratar os problemas com acompanhamento de profissionais adequados, para uma correta avaliação e intervenção nos hábitos orais e seus impactos sob o sistema estomatognático.


É importante fazer o acompanhamento com um pediatra, otorrinolaringologista, fonoaudiólogo e ortodontista, para desenvolver estratégias e ajustes para cada um dos hábitos orais e sua implicação no desenvolvimento orofacial.


O fonoaudiólogo irá avaliar, orientar e dependendo da conclusão, irá iniciar uma terapia fonoaudiólogica, especifica para o caso da criança (aconselhamento parental, técnicas de modificação de comportamento e terapia miofuncional de forma lúdica).

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