Doutor, meu filho ronca!

Atualizado: 5 de out. de 2020


A sonolência diurna também pode ser um dos sintomas da Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS)

Você sabia que assim como os adultos, as crianças também possuem distúrbios respiratórios do sono?


Um desses distúrbios é a Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS). Uma doença que, além de alterar a qualidade do sono das crianças afetando seu comportamento e aprendizado, pode ser potencialmente grave, levando a alterações cardiovasculares e metabólicas.



Mas o que é a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS)?


É um distúrbio em que devido a uma obstrução da via respiratória a pessoa para de respirar por alguns segundos diversas vezes enquanto dorme. Estima-se que cerca de 1-5% das crianças do mundo apresentem a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS). Já o quadro de respiração oral pode acometer um número ainda maior de crianças.



Toda criança que ronca tem Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS)?


Não. O ronco é um ruído produzido pelo turbilhonamento de ar decorrente de uma obstrução na parte posterior do nariz e da faringe. E essa resistência à passagem do ar durante o sono, pode ser completa, ocasionando a apneia.



Por que acontece?


Na infância, o principal motivo para a presença dos roncos se dá pelo aumento das amígdalas e adenóide e hipertrofia das conchas nasais inferiores devido à rinite alérgica. No entanto, muitos outros fatores podem levar a este quadro como a redução da resposta respiratória central e redução do tônus da musculatura faríngea.



Quando suspeitar?


As crianças com respiração oral e/ou apneia do sono apresentam ronco habitual, dificuldade respiratória, pausas respiratórias, sono agitado, enurese (fazer xixi na cama) e dificuldade no aprendizado.


Respiração oral com hipotonia de lábio superior, mordida cruzada, alteração na dentição e face alongada.

Se não tratar, pode acontecer alguma coisa?


A respiração oral, a longo prazo, pode provocar diversas alterações no crescimento da face como: face alongada, hipoplasia do terço médio da face (região malar com crescimento reduzido), retrognatia (queixo pequeno), palato ogival, mordida aberta – sendo necessário a participação de dentistas e fonoterapeutas para a correção destas alterações. Já a má qualidade de sono pode alterar as funções imunológica, endocrinológica e neurológica do nosso organismo, aumentando o risco de problemas cardiovasculares, alteração da memória, dificuldade de aprendizagem, entre outros.



Que exames são necessários para o diagnóstico?


De maneira geral, uma boa anamnese aliada ao exame físico, nasofibrolaringoscopia ou RX de cavum são suficientes para detectar a origem do problema e permitir uma condução adequada do caso.


A Polissonografia pode ser realizada em crianças também

Mas e a Polissonografia? Não precisa fazer?

Apesar de a Polissonografia ser o exame padrão ouro para o diagnóstico da apneia obstrutiva do sono em crianças, este é um exame indicado principalmente em crianças sindrômicas ou com alguma doença grave; ou naquelas em que o relato dos pais é pouco compatível com o exame físico. Logo, sua realização não é obrigatória para todos os pacientes.




E qual o tratamento?

Nas crianças com quadro de hipertrofia de tonsilas faríngeas (adenóides) e palatinas (amígdalas) o principal tratamento é a cirurgia.


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